Escutei de um colega, hoje: “Se errei, foi por excesso de rigor filosófico”.
Que susto.
Quase pensei que o erro fosse derivado da falta de rigor.
Mas tudo bem, o colega está certo.
Se errou, foi por excesso de falta.
Roendo algumas idéias de Pandeleteu, tiradas de uma sacolinha
Escutei de um colega, hoje: “Se errei, foi por excesso de rigor filosófico”.
Que susto.
Quase pensei que o erro fosse derivado da falta de rigor.
Mas tudo bem, o colega está certo.
Se errou, foi por excesso de falta.
Então.
Casa nova, redecorada, pintura novinha, tudo muito bem, tudo muito bom, mas e os posts?
Pois é. Esbarrei no impensável: o manuseio do wordpress. Aliado ao quesito tempo zero, o resultado da equação virou no posts at all. Estava tão bem acomodada ao blogspot, que quase me sinto recitando “Meus oito anos”, de Cassimiro de Abreu, que eu transformaria em “Meus seis anos de blogspot”.
Mas nem tudo está perdido, só o post que acabei de escrever e desapareceu.
De qualquer forma, nem a saudade do blogspot vai me fazer gostar de poesia.
Eis-me aqui, viva e chutando. Para mais seis anos, pelo menos.
Afinal, como vou viver sem o pateco?
Colotes diz contra Demócrito que ele, afirmando que cada uma das coisas não é mais assim do que assim, confunde a vida. Mas Demócrito está tão longe de pensar que cada uma das coisas não é mais assim do que assim que lutou contra Protágoras, autor de tal afirmação (…). (Demócrito, fragmento 156).
Acho que entendi assim e assim.
A terra tem umbigo, com toda certeza. É mulher, mãe, esposa. Em poucas palavras, é um ser humano divino. Logo, tem umbigo.
A pergunta é: onde está o umbigo da terra?
Demócrito de Abdera, o filósofo do átomo, responde: o umbigo da terra, o centro do mundo, está em Delfos, na Beócia, Grécia Central (fragmento 15).
Então, resumindo: o mundo é grego, e seu centro é uma região mais ou menos central no território da Grécia Continental.
Faz sentido.
John Locke, o filósofo, viu acontecer a luta entre Carlos I e o parlamento, que resultou na ascensão ao poder de Oliver Cromwell, a guerra civil e a revolução burguesa. Em meio a isto tudo, vivenciou disputas religiosas em que a intolerância era a palavra de ordem.
Nada mais natural que escrevessse sobre a tolerância… sendo intolerante.
Locke queria vencer a intolerância religiosa com um pouco de racionalidade, mas só um pouquinho, porque defendia que todos os cristãos deviam praticar a tolerância entre si. Apenas entre si. Os ateus “não podem ser de todo tolerados”, porque “negam o ser de Deus”. O ateu, diz Locke, não é humano, porque nega os valores humanos. Assim, matar um ateu não é um ato desumano.
Mas, claro, um luterano deve aprender a conviver com seu irmãozinho calvinista e seu priminho católico.
Eu até tentei, mas não há como desculpá-lo alegando contexto histórico. Hobbes era contemporâneo de Locke.
Schopenhauer gostava de animais com a mesma paixão com que desgostava dos homens. Tinha sempre um cachorro poodle, a que dava o mesmo nome, Atma.
Certo. A minha surpresa foi descobrir que há um livro intitulado “O poodle de Schopenhauer”.
Nada contra.
Também nada a favor.
Difícil é imaginar 196 páginas sobre o poodle de Schopenhauer.
A solução para todos os problemas relacionados ao trânsito, absolutamente todos, é bem simples, segundo Paul Ramsey, teórico da ética.
Aliás, simples, fácil, rápida e 100% eficaz.
Consegue imaginar qual seja?
Aposto que não.
Ramsey diz que, para controlar o trânsito, basta amarrar um bebê no pára-choque de cada carro. Imagine todo mundo dirigindo com o máximo do máximo de cuidado para não ferir ou matar o bebê, o seu e os dos outros.
Nas palavras de Ramsey, citado por Michael Walzer, em Guerras Justas e Injustas: “Suponhamos que num feriado longo do Dia do Trabalho ninguém morresse nem ficasse mutilado por acidentes nas estradas, e que o motivo para a extraordinária moderação aplicada à irresponsabilidade de motoristas de automóveis decorresse de todos eles de repente terem descoberto que estavam dirigindo com um bebê amarrado no pára-choque dianteiro”.
Ramsey quer demonstrar que não basta a eficácia quando se quer resolver um problema.
A solução, além de eficaz, deve ser também humana e decente.
Acompanhei, recentemente, a entrevista de Marília Gabriela ao astrólogo Oscar Quiroga, dono da cadeira de Letras Astrológicas de um lugar qualquer. É sério.
Foi uma experiência marcante. Quiroga afirmou, entre outras coisas, que “o dinheiro é uma entidade simbólica que serve para medir as relações entre os homens e a natureza”.
Assim mesmo.
Disse também que no Brasil de algum tempo atrás, quando alguém era assaltado, podia negociar com o assaltante, o que não acontece mais.
Assim mesmo.
Quiroga também profetizou que o dinheiro vai desaparecer.
Assim mesmo.
Ah, disse também que quando o swing do coração tende a desaparecer, o resultado é a destruição.
Assim mesmo.
Mas nossos avatares são capazes de nos salvar.
Assim mesmo.
Tudo, claro, obra de Deus. Inclusive os avatares.
Para finalizar, uma definição: a astrologia é um modo de espionar os desígnios do Altíssimo.
Assim mesmo. Juro.
Puxa, confesso que fiquei tonta com tanta informação. O entrevistado esclarece: “É preciso aprender a pensar”.
Ah, tá. E acrescento: também é bom dar uma passadinha na locadora e locar Avatar, aquele filme do James Cameron. Você vai entender tudo isso muito melhor.
Clique no título deste post e veja o vídeo. Ou quase.
A quem possa interessar, após um ano e meio quase sem postar, estou retornando a este espaço. Ao menos, é esta a minha intenção.
Comecei a ler o livro “Ética”, de William K. Frankena, e desisti logo nas primeiras páginas. Não posso levar a sério um livro que se refere a Sócrates como o “santo patrono da filosofia moral” (p. 13).
Sócrates é mesmo um santo. Viveu pela filosofia. Morreu pela filosofia. E defendeu a morte da vida pela vida da morte, como Cristo. Como Cristo, foi mártir.
Lindo, mas e a filosofia?
E a reflexão crítica? Parou aí, no conveniente?
Que os santos Sócrates, Platão e Hegel me perdoem, mas não tenho mais paciência para essa confusão entre filosofia e religião, seja explícita ou velada.